segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Casa de madeira na Dr. Gulin

Casa de madeira na Dr. Gulin

Casa de madeira na Rua Doutor Gulin. Gostei também do muro colorido, mas o que estava muito bom também era a sombra da árvore.

domingo, 16 de dezembro de 2018

Mais uma UIP na Iguaçu

Mais uma UIP na Iguaçu

Mais uma UIP na Iguaçu

A casa da esquina da Avenida Iguaçu com Rua Lamenha Lins é um Unidade de Interesse de Preservação.
O sobrado ao lado não consta nas listas de UIPs que tenho, mas é muito bonito e muito bem conservado também.

sábado, 15 de dezembro de 2018

Casa Domingos Nascimento Sobrinho - ficou bonita

Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional - lateral
Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional - frente
Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional - frente
Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional - lateral e prédio novo
Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional - interior

Quinta-feira estive na Casa Domingos Nascimento Sobrinho na Rua José de Alencar, sede da Superintendência no Paraná do IPHAN - Instituto Histórico e Artístico Nacional.

O IPHAN restaurou a casa recentemente e com o termino da construção do predinho nos fundos, a casa que era ocupada pela biblioteca e escritórios do instituto, agora contará com duas salas para a realização de exposições e oficinas de educação patrimonial.

A razão principal de ir à casa foi a abertura da exposição de fotografias “Saudade do Ninho”, de Washington Takeuchi. Com fotos do seu livro de mesmo nome. Tenho o livro desde o seu lançamento, mas ver as fotos impressas em tamanho maior é sempre outra experiência.

A casa ficou bem bonita, não que estivesse mal conservada, mas com as cores renovadas ficou melhor. Gostei principalmente do interior, que ja conhecia. Mas agora com os espaços abertos e com a pintura renovada, ganhou destaque. Algumas paredes internas têm umas barras decorativas com motivos geométricos e florais bem interessantes.
A casa, pela informação que obtive lá, ficará aberta para visitações de segunda a sexta-feira, das nove as dezoito horas. A exposição com fotos de casas de madeira do Washington Takeuchi ficará até maio de 2019. Vale uma visita, tanto pela casa como pela exposição.

Notei também que o IPHAN retirou uns containers que por um tempo ficaram atrapalhando a visão da casa.

Quem acompanha o blog sabe que, sempre que possível, gosto de contar alguma história relacionada a fotografia publicada. Um dia desses, em uma dessas redes sociais da vida, Luiz Renato Roble publicou uma história bem interessante sobre o senhor Domingos Nascimento Sobrinho, o antigo proprietário da casa. Ele escreveu o seguinte:

“A casa de madeira, com varanda e lambrequins, utilizada como sede do Iphan, no Juvevê, em Curitiba, não foi construída originalmente lá.
A casa do delegado e major Domingos Nascimento Sobrinho, foi construída na chácara dele no Portão em 1920 e em 1984, foi desmontada, transferida e remontada no atual local, pra ser a sede do órgão.
A família de Domingos Nascimento Sobrinho teve, trabalhando em sua casa, na década de 20, uma empregada chamada Virgília Alves Marques.
Virgilia, que pra família, era Dona Duca, tinha uma filha chamada Enedina, que tinha a mesma idade de Isabel, a Bebeca, filha de Domingos.
Bebeca e Enedina cresceram juntas e Domingos proporcionou à Enedina, a mesma educação de sua filha, Bebeca.
As duas estudaram, desde pequenas, em colégios particulares e mais tarde na Escola Normal, onde hoje é o Instituto de Educação, as amigas, depois de se formaram juntas, foram pro interior, pra trabalharem como professoras.
Depois de alguns anos, já de volta à Curitiba, Enedina, até ter sua própria casa, passou a morar com a família Caron, no Juvevê, onde além de lecionar em uma pequena escola próxima e ajudar informalmente na limpeza da casa, pra pagar sua moradia, voltou aos estudos.
Fez o curso noturno complementar em pré-Engenharia, no Ginásio Paranaense (hoje o Colégio Estadual do Paraná) e depois ingressou na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná.
Em 1945, Enedina Alves Marques, graduou-se em Engenharia Civil. A formatura foi no teatro do Palácio Avenida e teve como paraninfo, o professor João Moreira Garcez.
No ano seguinte, Enedina tornou-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas.
Em 1947, o então governador Moisés Lupion, a transferiu pro Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica, onde trabalhou no Plano Hidrelétrico do estado e atuou no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.
A Usina Capivari-Cachoeira foi seu maior feito como engenheira. Dentre suas outras obras, destacam-se o Colégio Estadual do Paraná, a Casa do Estudante Universitário de Curitiba entre outras.
Apesar de vaidosa, Enedina usava macacão nas obras e durante a construção da usina, levava uma arma na cintura, disparando tiros pro alto, pra se fazer respeitar entre os homens da construção.
Em 1958, o major Domingos Nascimento Sobrinho morreu, deixando Enedina, como uma de suas beneficiárias em seu testamento.
Em 1962, ao aposentar-se no governo do estado, recebeu o reconhecimento do então governador Ney Braga, que por decreto, valorizando seus feitos como engenheira, lhe garantiu proventos equivalentes ao salário de um juiz.
Em agosto de 1981, aos 68 anos, Enedina, vítima de um ataque cardíaco, foi encontrada morta em seu belo apartamento no Centro de Curitiba. Como morava só, seu corpo foi encontrado apenas uma semana depois.
Após sua morte, vários artigos ressaltando seus feitos foram publicados pela imprensa.
Uma rua no bairro Cajuru, foi batizada em 1988, com o seu nome e recebeu também, uma inscrição no Memorial à Mulher Pioneira.
A casa que hoje serve de sede ao Iphan Paraná, ajuda a compreender a importância que as construções históricas têm na sociedade.
Tão importante, porém, é que ela, com sua beleza e originalidade, faz, mesmo que indiretamente, uma justa homenagem a quem, pela beleza e originalidade de seus atos, proporcionou que Enedina tivesse sua importância na construção de nossa sociedade e nossa história, como algo possível.
Enedina Alves Marques foi a primeira mulher engenheira do Paraná e a primeira engenheira negra do Brasil.
Em 2006, foi fundado o Instituto de Mulheres Negras Enedina Alves Marques, em Maringá.
Em 2013, entretanto, o ano do seu centenário, a data passou batida.
Em 2014, uma campanha online pedia que o Edifício Teixeira Soares, ex-RFFSA, adquirido pela UFPR, fosse renomeado em sua homenagem.
Em 2018, Enedina é tão visível, quanto à usina que, à custa de tiros pro alto, ajudou a projetar e a construir.
Cento e vinte anos depois, ainda precisamos de novos Domingos Nascimentos Sobrinhos.
Viva Enedina!”

A casa é uma Unidade de Interesse de Preservação.

Publicações relacionadas:
Casa Domingos Nascimento Sobrinho (sede do IPHAN)
Memorial à Mulher Pioneira do Paraná

Referência: