sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Casas polonesas no Parque João Paulo II






Estas casas de troncos são características da imigração polonesa. Foram transferidas para o Parque Estadual João Paulo II, que é tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná.

“A imigração polonesa teve início em 1871, com a fixação de 164 poloneses na colônia do Pilarzinho, a 3 Km do centro de Curitiba. Distinguiu-se de outras correntes imigratórias pelo seu caráter eminentemente camponês e por um singular apego às suas tradições culturais, inclusive na agricultura, que incluía não só produtos mais adequados às condições mesológicas como o milho, a batata e o feijão, como também o centeio e a “tartaca”, componentes essenciais para o fabricação de um item básico da culinária tradicional: a broa preta. Estendeu-se essa atitude de preservação das tradições aos demais aspectos da vida do imigrante polonês – religião, vestimentas, festas, linguagem e, evidentemente, à arquitetura. O programa arquitetônico de cada unidade familiar rural abrangia a moradia, o paiol e os galpões para “animais” e implementos agrícolas.

Os sistemas construtivos variavam conforme as regiões de origem dos imigrantes. Além da madeira como matéria-prima, construíram também em alvenaria de tijolo, e com estruturas de madeira (enxaiméis) vedadas por taipa de mão. Mas sem dúvida foi a técnica de construção com troncos de pinheiro que se identificou como tipologia arquitetônica do imigrante polonês, pois foi o único grupo étnico que a empregou. Técnica milenar, cujos testemunhos mais antigos foram resgatados em pesquisas arqueológicas realizadas na região de Luzice, no oeste da Polônia, veio para o Sul do Brasil e ali foi implantada não só pelo atavismo de um grupo étnico camponês, mas também pela disponibilidade de matéria-prima – a madeira de pinho – em uma região coberta, ainda, por grandes extensões de florestas de araucária. O conhecimento acumulado e transmitido de geração a geração, de construir com troncos de árvores, vai induzir o imigrante a aplicar a mesma técnica, substituindo apenas o abeto de sua terra natal pelo pinheiro – a araucária – do Novo Mundo.

O sistema utilizado para as moradias, galpões e paióis, consiste em paredes feitas com troncos, falquejados em quatro faces, dispostos horizontalmente e encaixados nas extremidades. As coberturas em duas águas, com a cumeeira paralela à fachada principal, possuíam originalmente telhado feito com tabuinhas – pequenas telhas de madeira. À medida que se implantaram olarias, foram sendo substituídas por telhas alemãs ou por telhas francesas, como é o caso das construções instaladas no Parque João Paulo II.”

Essa técnica construtiva não é exclusiva dos poloneses, foi usada em diversas regiões do mundo por povos diversos, mas aqui na região parece ter sido usada principalmente (se não exclusivamente) por eles. Daí a associação que fazemos.

Referência: LYRA, Cyro Illídio Corrêa de Oliveira et al. Espirais do tempo: bens tombados do Paraná. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006. 440 p.