domingo, 10 de julho de 2016

O Olho


O Olho Museu Oscar Niemeyer

O Olho Museu Oscar Niemeyer

O Olho Museu Oscar Niemeyer

O Olho Museu Oscar Niemeyer

O Olho Museu Oscar Niemeyer

Como comentei quando mostrei o prédio principal do Museu Oscar Niemeyer (cujo projeto é de 1967) o anexo que ficou conhecido como “O Olho”, foi projetado também pelo Niemeyer e construído em 2002.
A construção é diferente e dá personalidade ao museu. Abriga em seu interior exposições que no geral costumam ser bem interessantes.

Projeto do IEP
Quando projetou o Edifício Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco para o Instituto de Educação do Paraná o arquiteto já havia previsto um anexo com formas semelhantes, mas ao nível do chão. Aquele anexo não foi construído e o prédio principal só foi concluído em 1978.

Para a reforma em 2002, foram estudadas diversas opções. Aparentemente optaram pelo projeto como conhecemos hoje por questões de custos, o que acabou sendo uma ótima escolha.
O "Mata-Borrão" de Porto Alegre.
Na década de 1960 existiu em Porto Alegre um outro prédio que adotava um desenho semelhante.
Projetado pelo arquiteto Marcos David Heckman, foi construído em madeira e era um Pavilhão de Exposições do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e “respondia à demanda do governador Leonel Brizola de expor as realizações de seu governo, notadamente no campo escolar, como as escolas ou 'brizoletas' também construídas em madeira.”
Como aqui, o prédio de lá ganhou um apelido, que no caso era “Mata-Borrão”.
Infelizmente para Porto Alegre, o prédio foi demolido no final dos anos 1960, dando lugar a um edifício da ex-Caixa Econômica Estadual. Um edifício sem graça, estilo caixa de vidro.

O "Mata-Borão" de Belo Horizonte
Antes que alguém acuse Niemeyer de ter copiado um projeto de outro arquiteto é bom lembrar que o próprio Heckman manifestou a alusão a outra obra de Niemeyer, o auditório do Liceu Belo Horizonte (atual Colégio Estadual Central de Belo Horizonte), projetado em 1954. Destinado a ser o auditório da escola, Oscar Niemeyer na ocasião já havia explorado a forma. Segundo o jornal “Estado de Minas”, falando sobre a escola e o prédio: “Traços que remetem ao ambiente escolar: o prédio das salas de aula é uma régua, o giz virou caixa-d’água, a cantina tem forma de borracha e o auditório, um mata-borrão”.


Referências:

MUELLER, Oscar. Centro Cívico de Curitiba: um espaço identitário. 2006. 201 f. Dissertação (Mestrado em Arquitetura). UFRGS. Porto Alegre.
RUPP, Isadora. Da burocracia ao museu. Gazeta do Povo. Curitiba, 10 nov. 2012. Disponível em <http://www.gazetadopovo.com.br/caderno-g/especiais/10-anos-mon/da-burocracia-ao-museu-1sgi161flshtaiy9ufkxx9wsu>. Acesso em: 28 jun. 2016.
CANEZ, Anna Paula Moura. Mata-Borrão: um grande olho de madeira no centro de Porto Alegre da década de 1960. Cadernos de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo. São Paulo, v14, n.1, p. 89-105, 2014
COLÉGIO Estadual Central será revitalizado. Estado de Minas. Belo Horizonte, 13 jun. 2013. Disponível em: <http://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2013/06/13/interna_gerais,405165/colegio-estadual-central-sera-revitalizado.shtml>. Acesso em: 28 jun. 2016