quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Um rótulo de erva-mate

Um rótulo de erva-mate

O ciclo da erva-mate foi o primeiro grande ciclo econômico importante do Paraná e, consequentemente, de Curitiba.
O primeiro engenho, muito primitivo ainda, foi montado em Paranaguá em 1820 por Francisco de Alzagaray, vindo da Argentina. Os engenhos espalharam-se primeiro no litoral, em Paranaguá, Antonina e Morretes.
O primeiro engenho da cidade, o Engenho da Glória, foi instalado em 1834 pelo coronel Caetano José Munhoz (1817-1877) e depois, muitos outros vieram.
O dinheiro da erva-mate (Ilex paraguariensis) irrigou toda a economia da cidade por um bom tempo, tendo um efeito multiplicador muito grande. Ele não fez surgir só belas casas (Mansão das Rosas, Solar dos Leões, Casa dos Veiga, Solar do Barão, entre tantas outras) mas contribuiu para o surgimento ou melhoria de escolas, hospitais e museus.
Inicialmente erva-mate a granel era transportada em bolsas de couro, mas o engenheiro André Rebouças identificou nessa embalagem um problema para a aceitação do produto no exterior, surgindo daí a industria de barricas de madeira (o que iniciou o desenvolvimento da indústria madeireira). As barricas necessitavam de aros de metal (assim desenvolvendo a metalurgia). O mercado externo exigia também identificação nas embalagens, o que possibilitou o surgimento da industria gráfica para produzir rótulos (o Barão do Serro Azul foi um dos sócios da Impressora Paranaense e também proprietário da primeira serraria a vapor do estado). A indústria de embalagem beneficiou-se também com o surgimento das pequenas caixas de madeira, de metal e, mais tarde ainda, de papelão; tudo para embalar a erva-mate.
A indústria do transporte foi outra beneficiaria, primeiro em mulas, depois em carroções, trem e mais tarde, caminhões. A erva influi também da infraestrutura, com as melhorias na Estrada da Graciosa e a construção da estrada-de-ferro.
E tudo isso necessitava de gente, gerando muitos empregos.

Na foto um belo rótulo de tampa de barrica, impresso pelo sistema de litografia, que fotografei em uma exposição no Memorial da Cidade de Curitiba.

Referência:

MILAN, Polliana, SANTOS, Leandro dos. Erva-Mate: O ouro verde do Paraná. Jornal Gazeta do Povo. [20??]. Disponível em: <http://www.gazetadopovo.com.br/vida-e-cidadania/especiais/erva-mate/index.jpp>. Acesso em: 22 jul. 2016.