quarta-feira, 7 de junho de 2017

Palacete Garmatter

Palacete Garmatter

Palacete Garmatter

Palacete Garmatter

Palacete Garmatter

O Palacete Garmatter foi concluído em 1929, uma anos após o inicio da construção, quando o Sr. Júlio Garmatter, industrial e comerciante do ramo de carnes, passou a residir com a família.

No início de 1937, durante o governo do interventor Manoel Ribas, o Sr. Garmatter vendeu a casa para o governo do estado, por “… quasi 500 contos …”, segundo o jornal “Diário da Tarde”.

Em fevereiro de 1938 a sede do governo estadual foi transferida para o Palacete Garmatter que logo passou a chamá-lo de Palácio São Francisco.

Com a inauguração do Palácio Iguaçu em 19 de dezembro de 1954 a sede do governo deixou o local.

Palacete Garmatter
Depois disso tem um intervalo de tempo que não consegui descobrir que ocupação teve, mas em 1961 o prédio foi cedido ao governo federal e passou a ser utilizado pelo Tribunal Regional Eleitoral, que ocupou-o até 1987. O prédio foi então devolvido para o governo estadual e em 28 de novembro de 1987 o prédio foi tombado e passou a fazer parte do Patrimônio Cultural do Paraná.

No anos 1960 o TRE ampliou consideravelmente a casa. No livro do tombo está escrito: “… com a construção do edifício contíguo ao Palácio, sacrificando uma de suas elevações laterais e alterando a relação volumétrica do edifício com o seu jardim e o espaço urbano da Praça João Cândido. O tombamento do Palácio diz respeito só ao edifício construído na década de 20. …”.

O restauro efetuado em 1987 recuperou o que foi possível do antigo palacete, eliminando divisórias e recuperando a divisão original das peças. Também foi feito um trabalho que revelou parte da cobertura original das paredes. Mas mantiveram a ampliação feita nos anos 1960.

Depois de restaurado o conjunto passou a ser ocupado pelo Museu de Arte do Paraná.

Em 2002 o prédio foi novamente restaurado e ganhou mais um anexo, em estilo moderno, voltado para a Rua Desembargador Ermelino de Leão. No dia 19 de dezembro de 2002 foi reinaugurado pelo governador Jaime Lerner com a nova sede do Museu Paranaense.

O projeto do Palacete Garmatter


Antes de mais nada vamos deixar claro que o Palacete Garmatter é a construção que fica no lado direito, olhando de frente para o prédio a partir da Praça João Cândido. Observe que o palacete tinha sótão e telhado. Há que pense que tudo era a casa do Sr. Júlio.
Mesmo assim, era uma casa enorme, com porão, térreo, andar superior e sótão a casa tinha 1.145 m². Dizem que não época não existiam dez casas com essa área na cidade.

Há uma certa controvérsia sobre a autoria do projeto do palacete. Alguns dizem que foi projetado pelo engenheiro Eduardo Fernando Chaves. Outros dizem que durante uma viagem Alemanha o Sr. Júlio Garmatter comprou a planta de uma casa que ele viu lá e gostou.
Já comentei sobre a dificuldade em torno da obra de Eduardo Fernando Chaves. Independente do talento pessoal inegável, ele comprovadamente costumava assinar projetos de outras pessoas e, pelo jeito, também aceitava fazer projetos que eram cópias ou adaptações de outros projetos que os cliente gostariam de ter.

Pensei que seria interessante se eu descobrisse a planta ou uma foto da tal casa na Alemanha. Procurei e encontrei em uma revista alemã uma artigo com fotos da Casa Rasch construída na cidade de Wiesbaden. A casa foi projetada pelo arquiteto Adam Gottlieb Hermann Muthesius (1861-1927).

Casa Rasch em Wiebadem (clique na foto para ampliar)
Observado as fotos da casa alemã, conclui que parece ser verdade que o Sr. Garmatter comprou a planta da casa na Alemanha. Imagino que não poderia simplesmente pedir a autorização para a construção na prefeitura com uma planta alemã e então, procurou o Sr. Eduardo Chaves, que fez as plantas necessárias, com algumas alterações.

No geral dá para dizer que os projetos são semelhantes. Uma das diferenças foi o material utilizado na construção. A Casa Rasch tinha as paredes externas em pedra calcária, enquanto o Palacete Garmatter foi uma das primeiras casa em concreto da cidade. Outra diferença está nas sacadas. Na casa alemã os guarda-corpos são grades de ferro fundido e na casa curitibana são de concreto, dando um ar mais pesado ao conjunto.

Casa Rasch em Wiebadem (clique na foto para ampliar)
Após vender o palacete o Sr. Júlio Garmatter residiu na Rua (atualmente Avenida) Jaime Reis, 495. Se a numeração das casas for a mesma do dia do falecimento dele, 4 de novembro de 1959, a casa não existe mais. No local atualmente é uma instalação da Embratel, ao lado do Seminário São Vicente, que fica junto da Igreja São Vicente de Paulo.

Uma curiosidade que tenho e que não consegui resolver são os motivos que levaram o Sr. Garmatter a vender a casa.

O Palacete Garmatter é um bem tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná.



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Açougue Garmatter

Referências:

INACREDITÁVEL. Diário da Tarde, Curitiba, 8 mai. 1937, Ano 39, n. 12.680, p. 1.
NOTíCIAS do dia. O Palácio do Governo. Correio do Paraná, 10 fev. 1938, Ano VI, n. 1849, p.1.
LYRA, Cyro Illídio Corrêa de Oliveira et al. Espirais do tempo: bens tombados do Paraná. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura, 2006. 440 p.
POSSE, Zulmara Clara Sauner e CASTRO, Elizabeth Amorim de. As virtudes do bem-morar. 1º ed. Curitiba: Edição das Autoras, 2012. 232 p.
WIKIPEDIA. Hermann Muthesius. Disponível em: <https://en.wikipedia.org/wiki/Hermann_Muthesius>. Acesso em: 7 jun. 2017.
DEUTSCHE KUNST UND DEKORATION: illustrierte Monatshefte für moderne Malerei, Plastik, Architektur, Wohnungs-kunst und Künstlerisches Frauen-Arbeiten. Ein wohnhausbau von Hermann Muthesius. Darmstadt, n. XXXIX, out 1916 - mar 1917, p. 202-205.
NOTA de Falecimento. Diário da Tarde. Curitiba, 4 nov. 1959, ano 61, n. 20190, p. 5.