domingo, 5 de dezembro de 2021

Uma contemporânea na Costa Rica

Casa em um estilo mais recente, na Rua Costa Rica
Casa em um estilo mais recente, na Rua Costa Rica

Casa em um estilo mais recente, na Rua Costa Rica, esquina com a Rua Máximo Zanon. Bem bacana.
 

sábado, 4 de dezembro de 2021

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhes

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhe frontão

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhe detalhe platibanda e lambrequim

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhes

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - ornamento

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhe grade do portão

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhes colunas

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhe grade

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhes

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva - detalhe cartaz onde está escrito "sexo masculino"

Hoje mais algumas fotos do Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva (Avenida Silva Jardim, esquina com a Avenida Marechal Floriano Peixoto). Desta vez focando em alguns detalhes do prédio.

Publicação relacionada:

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva

O antigo Grupo Escolar Doutor Xavier da Silva fica na Avenida Silva Jardim, esquina com a Avenida Marechal Floriano Peixoto.

É uma Unidade de Interesse de Preservação e também tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná.

Em 1896, após a inauguração da antiga Escola Tiradentes (prédio já demolido) na Rua do Serrito, atual Rua Presidente Carlos Cavalcanti) o Congresso Legislativo autorizou o Poder Executivo estadual a construir um grupo escolar (com verba liberada de até “cincoenta contos de réis”), A tal Casa Escolar seria “destinada à instrucção primária do sexo masculino, a qual terá a denominação perpétua de “Escola Xavier da Silva”.

Mas a coisa andou devagar e só seis anos depois o projeto foi feito, em 1902, pelo engenheiro civil Cândido Ferreira de Abreu (1856-1918), durante o terceiro mandato de Francisco Xavier da Silva (1838-1922) como governador do Paraná. 

O projeto original tem a forma de “L”, com um núcleo central (saguão de entrada). Cada uma das alas continha três salas de aula e na extremidade de cada uma delas, um pátio coberto. A ala da direita (frente para a Av. Mal. Floriano Peixoto) era destinada as meninas e a da esquerda (frente para a Av. Silva Jardim) era para os meninos.
O prédio é de estilo eclético e a parte central têm características neoclássicas, com um medalhão no frontão triangular, platibanda balaustrada, colunas com folhas de acanto no capitel (capitel de ordem coríntia), fustes lisos, sem decoração. Quatro delas são cilíndricas. A janela central é em arco, com uma espécie de parapeito com balaústres. As outras duas janelas laterais são com verga reta, encimadas por um frontão triangular simples.
Com o tempo a escola ganhou novos prédios anexos, mas a estrutura original mantem-se mais ou menos a mesa. Os pátios cobertos nas duas extremidades foram convertidos em salas de aula.

No medalhão no frontão está escrito 1903 e diversas fontes indicam a data de 19 de dezembro de 1903 como a data da inauguração do grupo escolar. A data é especial, a da comemoração do cinquentenário da emancipação da Província do Paraná, motivo de diversos festejos na época.

Entretanto, pesquisando em jornais da época, não consegui encontrar qualquer notícia no tipo “… foi inaugurado o grupo escolar …”.

O jornal “A República” de 2 de fevereiro de 1904 publicou na primeira página uma mensagem apresentada no dia anterior por Francisco Xavier da Silva ao Congresso Legislativo. Uma espécie de prestação de contas do seu mandato que estava terminando. A certa altura, falando da educação, escreveu: 
“… Continúa a falta de casas escolares. Na Capital funccionam em próprios do Estado as escolas Tiradentes, Carvalho e Oliveira Bello, cada uma com duas cadeiras, sendo as da 1.ª e 2.ª para o sexo feminino, e as da 3.ª para o masculino, não falando do predio em construcção na rua Marechal Floriano Peixoto, destinada á um grupo escolar, que, espero, será brevemente inaugurado.” 
No dia 21 de outubro de 1904, o mesmo jornal “A República” publicou uma pequena nota onde estava escrito o seguinte:
“Pelo empreiteiro sr. André Petrelli, será entregue amanhã ao Estado o edifício do grupo escolar Xavier da Silva, recentemente construído.”
O mesmo “A República”, no dia 22 de maio de 1905 publicou um despacho do Exm. Sr. Dr. Vice-Presidente, expediente do dia 12, que diz o seguinte: 
“Ao sr. Secretário de Finanças … Ao mesmo pediu-se que pela verba «Mobília Escolar», § 7 do orçamento em vigencia, mandasse pagar ao sr. Pedro Rispoli, a quantia de reis 260$000, proveniente de diversos moveis fornecidos ao grupo escolar Xavier da Silva durante o corrente mez.”
Em 25 de maio de 1905 o “A República” publica esta nota: 
“Em visita feita á escola regida pelo professor Lindolpho Pombo no «Grupo Escolar Xavier da Silva», exarou hoje o sr. dr. Sebastião Paraná, inspector geral das escolas do Estado, o seguinte termo:
«Na qualidade de autoridade do ensino publico do Estado visitei esta escola sob a intelligente direcção do abalisado preceptor sr. Lindolpho Pombo.
Assiti aos exercicios das seguintes disciplinas: grammatica, lições de cousas e rudimentos de historia natural. Declaro retirar-me satisfeito deste estabelecimento (Grupo Escolar Xavier da Silva) de instrucção, certo de que o seu director, acima alludido, desempenha com solicitude e competencia profissional os deveres de seu cargo.»”
Mais tarde a piazada já estava aprontando, como noticiou o jornal “Diário da Tarde” de 19 de maio de 1906:
“Explosão
Augusto de Castro, de 12 annos de idade, filho de um empregado da Estrada de Ferro, conseguio subtrair de uma gaveta da casa paterna, ás occultas, uma espoleta explosiva, e levando-a para a escola, em caminho encontrou-se com 2 collegas de nomes Fernando Filho e Alberto Halk.
Augusto mostrou aos collegas a espoleta e os tres meninos sentaram-se na calçada do grupo escolar Xavier da Silva, afim de ver si conseguia fazel-a explodir. Para esse fim, com uma pedra começaram á macetal-a e como não obtivessem o resultado almejado, Fernando tirou do bolso uma caixa de phosphoros e riscando um, lançou fogo á espoleta.
Deo-se então a explosão devido ao que Fernando recebeo um ferimento na mão e Alberto foi attingido, no rosto por um estilhaço.
O estado dos dois meninos não é grave, como hontem se propalou.”
No livro “Curitiba Luz dos Pinhais”, Rafael Greca de Macedo escreveu na página 99, na legenda de uma foto antiga do grupo escolar o seguinte: 
“Grupo Escolar Xavier da Silva, fundado em 1903, como marco do cinquentenário do Paraná. Inaugurado em 1907 com 315 alunos. Nele foi alfabetizado meu pai, Eurico Dacheux de Macedo, junto com seus irmãos José Valdomiro e Evaldo.”
Apesar de D. Pedro II ser um incentivador da abertura de escolas, o ensino durante o império era bem confuso e desorganizado, sem um currículo oficial. Muitas vezes a escolas eram nas casas dos professores, que reservavam um espaço para essa finalidade. Mesmo nas escolas públicas a coisa era confusa, com turmas dos diversos anos misturadas.
Com a proclamação da república, motivada pelas ideias do positivismo, a educação foi considerada como um fator de desenvolvimento. O ensino foi então organizado em séries e implantou-se um currículo mínimo. O Grupo Escolar Dr. Xavier da Silva é considerado como a primeira escola de Curitiba projetada já com esses novos conceitos em mente.

Francisco Xavier da Silva


Natural de Castro, Francisco Xavier da Silva nasceu em 2 de abril de 1838 e foi intendente municipal de sua cidade natal entre os anos de 1877 a 1881 e de 1889 a 1891; governou o Paraná em quatro mandatos, 1892-1893, 1894-1896, 1900-1904 e 1908-1912. Foi eleito senador por seis mandatos consecutivos entre as décadas de 1910 e 1920. Faleceu no Rio de Janeiro em 11 de junho de 1922.

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