quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Julia Wanderley na Santos Andrade

Herma em homenagem à Julia Wanderley, em Curitiba.
Herma em homenagem à Julia Wanderley, em Curitiba.
Herma em homenagem à Julia Wanderley, em Curitiba.

Esta herma em homenagem à Julia Wanderley está na Praça Santos Andrade. O busto e a placa com crianças lendo são de autoria de João Turin, o grande mestre da escultura paranaense.

O conjunto da obra de João Turin é bem tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná.

A breve biografia de Julia Wanderley disponível no site do IPPUC diz o seguinte:

“Júlia Wanderley Patriche era filha de Affonso Wanderley e Laurinda de Souza Wanderley. Nasceu em 26 de agosto de 1874 em Ponta Grossa. Em 1877 mudou-se para Curitiba.
Estudou na Escola Normal em Curitiba, onde em 21 de novembro de 1892, recebeu o diploma de professora normalista.
Personalidade impar e uma destemida lutadora, afável e meiga, quando encontrava espíritos submissos coerentes ou compreensivos, porém, altiva e imperiosa quando enfrentava pessoas que não a compreendiam a sinceridade e a simpleza com que advogava as questões da classe.
Júlia foi professora e diretora da Escola Tiradentes e da Escola Intermediária. Escreveu preciosas notas sobre o ensino da gramática e colaborou em vários jornais de Curitiba sobre assuntos pedagógicos.
Faleceu em 05 de abril de 1918”

Em novembro de 1892 ela formou-se professora, junto com outras três moças, na primeira turma mista da Escola Normal de Curitiba. Tudo indica que a admissão de mulheres na Escola Normal ocorreu pela insistência de Julia Wanderley. Não que não houvesse professoras naquele tempo, mas elas não faziam o curso de normalista, que era coisa só para homens. Elas prestavam alguns exames perante uma banca, para os quais normalmente estudavam em casa, sozinhas ou com preceptores.

Julia Wanderley assumiu como professora do estado no dia 4 de julho de 1893 recebendo um vencimento mensal de 121$324, o que daria em valores de hoje algo como R$ 4.850,00. Ou seja, uma pátria que se diz educadora, remunera os seus professores em início de carreira pior do que no início da República. É interessante notar que naquela época o salário de professor não era considerado um bom salário, pelo contrário.

Vitor Ferreira do Amaral escreveu o seguinte sobre ela: "Era o tipo mais completo de professora que conheci, durante os anos em que fui diretor da Instituição. Inteligência lúcida, de uma intuição que quase atingia as raias da adivinhação, com uma cultura não vulgar e uma decidida vocação pedagógica que a tornava querida e admirada de seus discípulos e a colocava em destaque entre as suas colegas como primus inter pares."

Além de grande educadora, foi uma grande colecionadora de fotografias, postais e recortes de jornais. Com mais de 4 mil imagens, muitas das imagens conhecidas da Curitiba antiga deve-se a coleção de Julia Wanderley.

Em 1905, em um Relatório Escolar ao Diretor Geral da Instrução Pública escreveu:
“A educação, promovendo o desenvolvimento physico, intellectual e moral da criança, é incontestavelmente a fonte principal do engrandecimento dos povos (...). [Para isso] a percepção, a attenção, o juízo, a memoria, e a imaginação serão assim igualmente aperfeiçoadas e harmonicamente desenvolvidos (…)”.

A lenda urbana


Julia Wanderley faz também parte das lendas urbanas da cidade. Uma delas diz que nos anos 1970, na escola que leva o nome dela, uma professora apresentou-se em uma sala da 1ª série dizendo que era a professora substituta e que daria aula no lugar da regente que estava doente. Depois do recreio, quando a piazada voltou para a sala, encontraram a diretora dizendo que não tinha encontrado alguém que pudesse dar aula para eles naquele dia.  Os alunos então contaram da professora que tinha dado aula para elas, que era muito parecida com a mulher do busto que havia na frente da escola e que usava roupas bem fora de moda.

Além de fazer parte das lendas da cidade, Julia Wanderley é nome de ruas, praças e escolas em diversas cidades do Paraná.

Julia Wanderley é um modelo para os professores paranaenses.

Referências:

ARAUJO, Silvete Aparecida Crippa de. Professora Julia Wanderley, uma mulher-mito (1874-1918). 2010. 183 f. Dissertação (Mestrado em Educação) - UFPR, Curitiba.
WIKIPEDIA. Júlia Wanderley. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Júlia_Wanderley>. Acesso em: 20 nov. 2015