domingo, 4 de outubro de 2020

Uma casa na Guarda Mor Lustosa

Uma casa na Guarda Mor Lustosa

Uma casa na Guarda Mor Lustosa

Uma casa na Guarda Mor Lustosa - detalhe da mansarda

Uma casa na Guarda Mor Lustosa - detalhe da platibanda e ornamento de ferro

Muito interessante a fachada dessa casa na Rua Guarda Mor Lustosa.
Repare na porta de entrada na lateral, nas janelas, na platibanda com vários detalhes e com um ornamento de ferro e também no telhado com mansarda.

Além da casa, fiquei curioso com o nome da rua.

Guarda Mor Lustosa

Carlos Zatti escreveu o seguinte sobre ele:

“1790 - 17/03 – Aos 90 anos, de idade, falece repentinamente em Curitiba, o distinto e valoroso sertanista Guarda-mor Francisco Martins Lustosa, natural de Santiago de Lustosa – Portugal, recomendado pelo padre Francisco das Chagas Lima. – No serviço de explorações mineralógicas, no sertões paulistas, na Serra da Mantiqueira e em S. Anna de Sapucahy, descobriu minas de outro das quais foi Guarda-Mor. / Dada a questão de divisas, entre S. Paulo e Minas Gerais, tomou partido do primeiro e com seus 200 homens, sustentou o direito paulista, com resolução firme, pelo que era ali grandemente estimado. Extinta a Capitania e Governo de S. Paulo, viu-se desamparado por parte deste, e perseguido pelo General Gomes Freire de Andrade, que tomou o partido de Minas. Sendo-lhe proposto continuar no serviço das minas, com as mesmas honras e vantagens, com que servira S. Paulo, nobremente recusou. Retirou-se para o Paraná, através de ínvios sertões, vindo aqui prestar inolvidáveis serviços, no comando da 6ª expedição a Guarapuava, iniciada em 1767, a qual tinha por comandante geral o valoroso Tenente-Coronel Afonso Botelho de Sampaio e Souza. Foi Guarda-mor de Pedra Branca do Tibagi, cujas minas auríferas descobriu. A energia e a capacidade de trabalho do valoroso Guarda-Mor, até o momento de sua morte, é um fato notável, que o engrandece.”

Em um artigo do jornal carioca “O Paiz”, de 28 de abril de 1928 encontrei alguma coisa também sobre a vida dele antes de vir para o Brasil.

“…Filho de Antonio Martins e de D. Angela Gomes, veiu á luz da vida em 1700, na villa de Santiago de Lustosa, arcebispado de Braga.

Na patria de origem que ainda jovem deixou adquiriu boa instrução.

Era a época em que as notícias mais phantasticas da descoberta de immensos thesouros no interior do Brasil empolgavam o espitito aventureiro dos portuguezes.

Lustosa deixou-se arrastar pela miragem e, em busca de fortuna facil, um dia aportou ás plagas brasileiras.

Foi residir na villa de Mogy das Cruzes, norte de S. Paulo, onde exerceu o cargo de tabelião, nomeado que foi …”

Referências:
ZATTI, Carlos. Cronologia do Paraná com as Efemérides de Negrão. Curitiba: IHGPR/Clube de Autores, 2019. 433 p.
O GUARDA-MÓR Lustosa, fundador de Ouro Fino. O Paiz. Rio de Janeiro, 28 abr. 1928. N. 15.896, p. 1 e 4.