terça-feira, 18 de outubro de 2016

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas

Localizada o Largo Coronel Enéas (também conhecido como Largo da Ordem) a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco das Chagas e a segunda ou terceira igreja construída na cidade..
Construída em 1737, mesmo ano da construção da Igreja do Rosário dos Homens Pretos de São Benedito. Algumas fontes dizem que a da Ordem ficou pronta antes e outras dizem o contrário.

Originalmente era chamada de Igreja da Nossa Senhora do Terço. Mudou de nome em 1746, quando chegaram na cidade os primeiros padres da Ordem de São Francisco.

Entre os anos 1752 e 1783 funcionou em um anexo um convento dos franciscanos.

Em 1834 ou 1835 parte das vigas do teto desmoronaram. A igreja foi reparada, mas o estado geral dela não era bom. Com a chegada dos primeiros imigrantes poloneses a igreja serviu como uma paróquia para aqueles colonos.

Entre 1875  e 1893 a matriz de Curitiba passou a ser a Igreja do Rosário, enquanto construíam a nova Catedral. Mas em 1880 o Imperador D. Pedro II visitou a cidade. Apesar de D. Pedro II ter sido a favor da abolição da escravatura, algumas autoridade locais acharam que não seria conveniente o Imperador ir na missa em uma igreja de escravos. Assim decidiram que a Igreja da Ordem, que até então estava mal conservada, deveria passar por reformas para receber o Imperador. O que foi feito. Apesar que a torre que acrescentaram à igreja original (que tinha estilo colonial) só ficou pronta em 1883. O Barão do Serro Azul (Ildenfonso Pereira Correia), que não época não era barão, foi um dos principais financiadores da reforma.
Os sinos, após a conclusão da torre, foram doados pelos industriais da erva-mate.

D. Pedro II anotou no seu diário no dia 22 de maio de 1880 o seguinte:

“… Missa às 8 ¼ pelo aniversário fúnebre. A igreja serve de matriz, enquanto se faz esta, é pequena, porém bonita e muito limpa. …”

Depois de reformada a igreja passou a servir a comunidade alemã, sendo os ofícios celebrados em alemão até 1937.

A Igreja da Ordem é um bem tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná e é uma Unidade de Interesse de Preservação. Passou por um grande restauro, muito bem executado, entre os anos de 1978 e 1980. “As obras foram iniciadas em fins de 1978, após grande campanha popular de arrecadação de fundos organizada pelo então coordenador da Casa Romário Martins, engenheiro Rafael Greca de Macedo.”

Por ocasião do restauro, o Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba ganhou um espaço definitivo junto à igreja. Falarei dele em uma outra ocasião.

Publicação relacionada:
O bonito interior da Igreja da Ordem
Os lustres da Igreja da Ordem
Museu de Arte Sacra da Arquidiocese de Curitiba

Referências:

domingo, 16 de outubro de 2016

Palacete Wolf, o local da prisão do Barão do Serro Azul

Palacete Wolf, o local da prisão do Barão do Serro Azul

Palacete Wolf, o local da prisão do Barão do Serro Azul

Palacete Wolf, o local da prisão do Barão do Serro Azul

Palacete Wolf, o local da prisão do Barão do Serro Azul

Pesquisando sobre o Palacete Wolf encontrei informação desencontrada. Algumas fontes indicam que foi construído por Joseph Wolf. Outras dizem que foi construída por Friedolin Wolf (filho de Joseph e pai de Fredolin Wolf).
Aparentemente foi construído por Friedolin em 1880.
Portanto, o que vou escrever aqui é baseado em informações que encontrei na rede, sem consultar fontes primárias e sujeitas a futuras correções, o que farei se encontrar novos dados.

Joseph Wolf, imigrante de origem austríaca, que chegou em Curitiba em 1858 instalou, naquele mesmo ano, uma cervejaria, a primeira da cidade. Em 1875 ele requereu no Largo da Igreja do Rosário “cem palmos” de terra para construir um edifício. Aparentemente este primeiro edifício foi mais tarde demolido para dar lugar ao palacete. Em 20 de abril de 1877, ainda na casa antiga, realizou-se a cerimônia de regularização da Loja Maçônica Concórdia IV (que havia sido fundada em 24 de janeiro). Encontra-se registrado em ata que “Com um muito obrigado os Irr.´. aceitaram e agradeceram a oferta do Ir.´. Wolff, que colocou a sua Instalação durante 6 meses gratuitamente a disposição da Loja.”
O jornal “Dezenove de Dezembro” do dia 21 de abril de 1877 publicou a seguinte notícia:
“ LOJA MAÇONICA – Regularisou-se hontem a loja maçonica – Concordia 4 – composta de allemaes residentes nesta capital.
Á cerimonia, que de effectuou na casa do Sr. Wolf, ao alto de S. Francisco, compareceram …”

O local da prisão do Barão do Serro Azul antes de ser embarcado no fatídico trem

Entre 1889 e 1895 o prédio foi ocupado pelo quartel-general do 5° Distrito do Exército Brasileiro, e sede do 17º Batalhão da Infantaria e Regimento de Segurança. Após a retomada da cidade pelas tropas republicanas (que tinha sido ocupada pelos federalista) o Barão do Serro Azul ficou preso nesse local, acusado de colaboração com os maragatos durante a Revolução Federalista. Na noite de 20 de maio de 1894 o Barão, junto com outros cinco companheiros (Prisciliano Correia, José Lourenço Schleder, José Joaquim Ferreira de Moura, Rodrigo de Matos Guedes e Balbino de Mendonça) foram retirados da prisão, levados a Estação Ferroviária e, no km 65 da estrada de ferro Curitiba-Paranaguá, foram arrastados para fora do vagão e brutalmente assassinados, sendo os corpos abandonados no local.

Outras ocupações

Entre 1897 e 1900 foi sede do Quartel da Força Policial.
Mais tarde o prédio foi alugado pelos padres franciscanos, que instalaram no local a seção alemã do Colégio Bom Jesus;
Entre 1911 e 1913 foi sede a Prefeitura e da Câmara Municipal.
Em 1914 o andar superior foi ocupado por uma loja maçônica e no térreo instalou-se o ateliê de pintura da professora Gina Bianchi, que teve como aluno, entre outros, Theodoro de Bona.
Com a mudança da Loja Maçônica, a família Bianchi transferiu-se para o andar superior e sublocou a parte térrea, lá permanecendo até 1956.
Entre os anos de 1958 e o início dos anos 1970, o prédio foi ocupado pela Livraria Otto Braun.
Em 1973 a prefeitura desapropriou o imóvel e instalou no local a sede da Fundação Cultural de Curitiba, mais tarde transferida desse local.
Atualmente o prédio continua sob a responsabilidade da Fundação Cultural, que mantém no local a Coordenação de Literatura, com uma livraria e sala de leitura, que levam o nome da Dario Vellozo (fundador do Instituto Neo-Pictório, com sede do Templo das Musas, na Vila Isabel).

A lenda urbana

Há quem acredite que o local é “mal-assombrado”. Outros dizem que é cheio de “cargas negativas” por ter sido o local da prisão do Barão e de tantos outros que acabaram covardemente assassinados.

O prédio em si

A descrição dele encontrada no livro “Espirais do Tempo” diz o seguinte:

“Ocupando uma área de esquina de 300 m², em frente à Igreja de N. Sra. do Rosário, exemplifica esse monumento a arquitetura nobre urbana de residência da segunda metade do século XIX.
O ecletismo de sua arquitetura é expresso pela convivência de influências do neoclássico, urbano por excelência, com elementos culturais de origem germânica típicos de suas edificações rurais. Neoclássica é a composição das fachadas. Na principal, o eixo de simetria, marcado pela superposição da porta de entrada, sacada e porta superior, divide duas sequências ritmadas, iguais, de janelões flanqueados por pilastras de fuste canelado. Ressaltos almofadados em ponta de diamante ornamentam os paramentos de alvenaria, abaixo e acima das aberturas. A tradição germânica se faz presente na cobertura, de telhas cerâmicas, em forma de escama, ditas alemãs; na técnica construtiva do enxaimel das paredes dos fundos e nos lambrequins de madeira recortada que enfeitam os beirais das varandas internas.
A disposição do espaço, em L, proporciona um pequeno pátio interno. A distribuição dos aposentos é comandada por um corredor central, ligando em ambos os andares a frente da casa à varanda dos fundos. Para esse corredor se abrem os aposentos principais – as salas maiores voltadas para o exterior, as menores, para o pátio. Na extremidade direita da casa a antiga garagem é vazada por arcos, sendo o exterior aberto para a praça e o interior para o pátio. O tratamento interno segue a sobriedade característica da moradia tradicional brasileira, destacando-se, porém, a qualidade do trabalho de marcenaria nas esquadrias, na escada e nos detalhes da varanda.”

Gosto da casa, que é um bem tombado pelo Patrimônio Cultural do Paraná e uma Unidade de Interesse de Preservação e está localizada na Rua do Rosário, com frente para a Praça Garibaldi.

Outras publicações relacionadas:
Solar do Barão
Solar da Baronesa
A casa de Vicente Machado, aquele que fugiu


Referências: